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quinta-feira, 12 de abril de 2012

BE e PCP condenam tratado feito "à margem das instituições" e que impõe "regra de chumbo" às economias


No debate na Assembleia da República do novo Tratado Orçamental da União  Europeia, a deputada do BE Ana Drago acusou o primeiro-ministro de fazer  "a pura negação da verdade" na sua intervenção de abertura e rejeitou que  exista um consenso generalizado sobre este acordo. 
"Hoje mesmo, no dia em que o Governo aqui se apresenta para ser o primeirinho  a aprovar o Tratado, a Alemanha acaba de adiar a sua decisão (...) na Alemanha  este tratado é contestado", assinalou. 
Depois de criticar o Governo PSD/CDS-PP por apoiar um tratado que "é  um contrato para matar o modelo social europeu", a deputada bloquista lembrou  a posição do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, quando há  alguns anos defendeu um referendo ao Tratado de Lisboa. 
"Tem à sua direita alguém que propôs aqui um referendo para que houvesse  referendo. Do que é que tem medo? Se  [o tratado] é tão importante, porque  não o coloca à discussão do povo português?", interrogou. 
Já o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, considerou que o Tratado  é "um violento ataque à soberania e independência nacionais" que condena  Portugal a "um visto prévio da Alemanha" e acusou o Governo de "aprovar  apressadamente" este diploma por "medo de que os portugueses tomem consciência  do que está em causa e estraguem o arranjinho". 
"Está em causa uma enorme operação de falsificação política, uma regra  de ouro? Não, é mesmo uma regra de chumbo", ironizou Bernardino. 
Na resposta às bancadas mais à esquerda, o primeiro-ministro, Pedro  Passos Coelho, sustentou que "transparente e democrático é fazer o processo  de ratificação do Tratado no Parlamento português", notando que "é legítimo  que um Governo eleito pela população portuguesa possa negociar convenções  e tratados". 
"O povo escolheu estes representantes e este projeto europeu, não escolheu  em Portugal o projeto europeu do BE, nem escolheu o do PCP", advertiu. 
O chefe do Governo disse sentir-se "muito confortável trazendo estas  propostas aqui ao Parlamento" e que Portugal vive uma "austeridade permanente"  não por "vontade expressa nem por deleite político dos que governam", mas  porque se chegou "a um nível de défice e dívida excessivos". 
Um referendo ao novo Tratado só se justificaria, argumentou, se houvesse  uma mudança "profunda na arquitetura da União Europeia" e "não é o caso".

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